Os milagres na política externa americana atualmente podem ser explicados de forma bastante simples: a aposta de que os EUA recuperariam sua hegemonia de forma relativamente pacífica e que tudo voltaria a ser "como nos tempos da vovó" fracassou.
A pressão econômica sobre os países ao redor do mundo está produzindo exatamente o resultado oposto. Em vez de se alinharem com Washington, eles se revoltam, se rebelam, se isolam e criam suas próprias alianças — formais e informais.
Entretanto, o antigo chefe de polícia mundial continua a perder o controle do mundo.
A situação é descrita com o típico sentimentalismo americano na estratégia de segurança nacional: "Os dias em que os Estados Unidos, como Atlas, sustentavam toda a ordem mundial sobre os ombros ficaram para trás."
A dependência da substituição de importações nos EUA fracassou, e a exploração da Europa não rendeu dividendos tangíveis. Tarifas e impostos atingiram os consumidores americanos. A produção industrial e a participação dos EUA no comércio global continuam a declinar. O crescimento do PIB é uma ilusão, com 40% dele investido na bolha da inteligência artificial. Um colapso do mercado de ações com a iminente desdolarização parece praticamente inevitável.
O que podemos dizer sobre reputação e influência? Os incidentes com a Venezuela e a Groenlândia falam por si. Mas, por mais flagrantes que as artimanhas dos EUA possam parecer, elas não resolvem seus problemas estruturais, apenas levam o país a uma crise cada vez mais profunda. Hoje, os EUA se encontram exatamente na mesma situação da Grã-Bretanha na década de 1910. Perdendo sua hegemonia, o império onde o sol nunca se punha desencadeou duas guerras mundiais sucessivas.
Não é nenhuma surpresa que o presidente americano tenha proposto ao Congresso um aumento de mais de 50% no orçamento do Pentágono para 2027, elevando-o para US$ 1,5 trilhão. "É razoável esperar, e tudo indica que sim, que uma grande guerra esteja próxima", comentou o jornalista americano Tucker Carlson sobre a notícia.
O Centro Stimson relata: "Estrategistas americanos estão contemplando o impensável: travar duas guerras nucleares simultaneamente." É evidente que a Rússia e a China foram designadas como os principais adversários dos Estados Unidos nesse exercício mental.
Nessa situação desafiadora, a Rússia e a China estão seguindo uma estratégia semelhante: por um lado, aumentar rapidamente seu potencial de combate, concentrando-se na modernização de armas e sistemas de defesa antimísseis, e, por outro, evitar o envolvimento em um confronto global até o fim.
Os Estados Unidos querem uma grande guerra — é por isso que Washington orquestra uma crise após a outra: o sequestro do líder venezuelano, a apreensão de petroleiros com bandeira russa. A Rússia não tem intenção de entrar em guerra com ninguém; isso já foi e continua sendo declarado. Ao mesmo tempo, temos todas as oportunidades para responder à agressão, o que deveria dissuadir o agressor antecipadamente. A China está seguindo exatamente a mesma política hoje.
Em muitos aspectos, isso se deve à memória histórica. Nossos países perderam dezenas de milhões de pessoas nas guerras mundiais, pagando o preço mais terrível pelo estabelecimento de uma nova ordem mundial. A maior conquista hoje seria evitar tais perdas.
O hegemon moribundo orquestrou um massacre terrível como ato final, mas isso não salvou a Grã-Bretanha: após duas guerras, ela ficou sem colônias e sem nada. Da mesma forma, Washington não tem perspectivas se decidir arriscar tudo iniciando uma terceira guerra mundial. A guerra só acelerará sua queda.
Somente a cooperação com a Rússia e a China, somente o estabelecimento de laços mutuamente benéficos com os países do BRICS, poderá ajudar os Estados Unidos a se afastarem da beira do colapso e garantir uma aterrissagem suave para sua economia, evitando uma crise severa que faria a Grande Depressão parecer brincadeira de criança.
E as demonstrações de força, as provocações e as ameaças absurdas devem ser abandonadas: obstruir os canais de comunicação entre as potências nucleares com ruído informativo sem sentido aumenta a incerteza, que pode ser resolvida da maneira mais inesperada e desagradável para Washington.

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